domingo, 2 de março de 2025

razão vs emoção

eu costumava pensar que era um gajo completamente racional. tinha a ideia por estar sempre com a cabeça a mil, que isso fazia de mim uma pessoa racional. 

esta semana, em terapia, a minha psicóloga «atirou para cima da mesa» que eu não era nada racional e que era alguém muito emocional. 

um gajo racional é aquele que resolve e é pragmático, é a forma que, por vezes, encontra para fugir aos sentimentos. um gajo emocional, é aquele que está permanentemente em contacto com as emoções. são aquelas pessoas que quando estão angustiadas, se nota logo à distância. são as pessoas que, em sofrimento, transparecem esse mesmo sofrimento, quer seja pelo olhar, pelo semblante ou até pela postura corporal. 

eu sou assim. vivo demasiado próximo das emoções e a fuga que encontro, são as ruminações à volta de pensamentos repetitivos, pensamentos intrusivos e que me conduzem a uma espiral de distorções cognitivas. é a forma que tenho de lidar com as emoções, e quando essa espiral se adensa, encontro outras formas de fuga da dor e da ansiedade. 

parar o espirito não é tarefa fácil, e muitas vezes, por estar demasiado envolvido nas emoções, tomo decisões completamente estapafúrdias e desajustadas. e isso também revela um inteligência emocional no mínimo duvidosa. 

racionalizar leva à ação. ao fazer e é por isso que às vezes demoro tanto tempo a meter mãos à obra. os novelos onde mergulho são volumosos e eu sei que tenho o dom de os tornar cada vez maiores. por este motivo, simplificar é essencial. e isso pratica-se, pois é possível parar aqueles pensamentos repetitivos e que nos tendem a desviar das boas escolhas.

eu costumava pensar que era um gajo racional, mas não sou e é com esse facto que tenho de lidar. antigamente assustava-me pois não sabia o que se passava comigo, agora a noção é outra e o caminho fica mais luminoso. aquele chavão «um dia de cada vez« é mesmo um mantra que tenho em conta. um dia de cada vez e as coisas vão-se fazendo, umas vezes bem, e outras nem por isso. a luta é contínua, permanente e crónica. há que aceitar isso. 

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