Às vezes, quando estou imerso no silêncio da madrugada, a mente deambula pela esteira da minha vida. Vejo-me envolto em dúvidas, em incertezas, em disparates que penso serem únicos e apenas exclusivos de mim, e penso que mais ninguém tem esse tipo de pensamentos. Para tentar quebrar um pouco esta ideia, acendo um cigarro, e atiro o fumo para a rua, numa tentativa desesperada de encontrar um significado para todas essas coisas que me ocorrem precisamente às 4h17m da madrugada.
Não há ninguém aqui para testemunhar essa batalha. Toda a gente dorme. Menos eu e aquela senhora, que mora no prédio aqui ao lado, e que sai às 4h30m e dirige-se não sei para onde. Nunca soube para onde vai, e desconfio que nunca saberei.
São milhões de pensamentos que me esculpem, são milhões como galáxias no Universo. Todos eles com algumas constelações que se amotinam e que se confundem. Não saberei dizer em qual delas me sinto melhor e mais à vontade. Poderia escrever sobre eles, sobre os pensamentos, mas receio não conseguir dar à mão a lucidez necessária.
Às vezes, neste processo, sinto-me muito só. Não há ninguém aqui — volto a referir. Mas mesmo que houvesse, sei que teria dificuldade em projectar a tela das minhas constelações.
Agora que penso em como o tentaria fazer, penso:
«raramente, alguém pergunta como estou, como me sinto.»
Não acho isto triste, apenas inevitável.

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