quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

fotografias da vida

Curvo-me sempre perante aqueles que conseguem tirar fotografias bonitas na vida. Gosto de fotografias enigmáticas e com grão. Gosto das fotografias analógicas. Já não se vêem muitas por aí. 

Tiro poucas fotografias durante o meu dia-a-dia. Os telemóveis fizeram de nós todos fotógrafos, certo de que temos o click mágico ao alcance de um gesto. Uns são mais “profissionais” que outros. 

Não é que quisesse ter uma vida instagramável, não é por aí, apenas gostaria de ter mais motivos para tirar fotografias. O meu quotidiano é limitado. A minha vida é limitada. 

O pôr-do-sol é uma fotografia clássica e fácil que fica sempre bem em qualquer lado. Mas o que eu gosto mesmo é de cenários mínimos e de cores esbatidas. 

Não percebo nada de fotografia. Nada mesmo. 

Há uns dias, uma amiga minha explicou-me os parâmetros básicos. Hoje já me esqueci deles, resta-me seguir a intuição. 

Tenho uma câmara analógica que era dos meus pais e que é, segundo essa minha amiga, uma câmara de combate. Espero melhores dias, com melhor luz, para a tirar da bolsa vintage que a protege, e ir para a rua tirar fotografias. 

Às vezes, penso que as fotografias da vida, aquelas que melhor nos caem no coração dos olhos, são aquelas que ficaram no cérebro. As que perduram nas memórias. São aquelas de que não temos registo, não temos prova. Há quem diga que é como se não tivéssemos vivido esses momentos, se não tivermos em mão a devida chapa. Gosto de pensar que assim não é. As memórias oferecem boas fotografias e, se for preciso, vêm acompanhadas com cheiros, sabores, e outros tantos mistérios que os sentidos produzem. 

Admiro criativos. Admiro pessoas que são capazes de destacar nas paisagens mais comuns, detalhes que a outros passam completamente ao lado. Não conheço muitos. 

A luz é essencial — dizem. A luz é igual para toda a gente, e no entanto nem todos tiram proveito dela. Há um lado alquimista no fotógrafo, que é aquele lado que combina luz, sombras, com a arte de exprimir o indizível através da lente. 

Uma fotografia que encerra em si testemunhos, não só daquilo que se viveu, mas também tudo aquilo de que somos feitos. 

Para mim, uma boa fotografia é aquela que faz como que eu quisesse ter estado lá, nesse sítio de onde foi tirada, aquela que leva parte de mim para esse momento.

Mas isto sou só eu que não percebo nada de fotografia e muito menos de fotografias da vida. 

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