segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

o desconforto

Uma das coisas a que mais fui avesso e resistente, foi às mudanças. As mudanças assustavam-me. Tudo o que era viver no conforto do que conhecia, era comigo. Não me submetia ao desconforto. Recentemente tenho pensado e verificado que é submetido ao desconforto, que evoluímos e vamos acelerando a passo para o nosso bem estar. Tudo aquilo que nos provoca desconforto, impele-nos para a frente. 

Aqui há dias, o despertador tocou, como habitualmente, às cinco e meia da manhã. Levantei-me e fiz as minhas rotinas normais; lavar dentes (não como de manhã), desfazer a barba, beber café, fumar um cigarro à janela no silêncio impune da madrugada, ler e-mails, newsletters, e, finalmente enveredei pelo tempo que dedico à meditação. A meditação tem-me ajudado muito a manter os níveis da ansiedade nos mínimos, ou se não nos mínimos, pelo menos nos valores aceitáveis da normalidade. Em seguida, desci até à garagem para ir ao ginásio. Eram seis e quarenta e cinco da manhã. Quando abri o portão levei com o “bafo” dos dois graus centígrados. Pensei imediatamente: mas que parvo que tu és, o que fazes aqui, em vez de estar na cama? A vontade em ir treinar já não era muita, e quando levei com aquele choque meteorológico, tive vontade de voltar para o quente de casa. Mas não. Contrariei a vontade e lá fui, conduzindo lentamente até ao ginásio. Fiz um grande treino e a sensação com que fiquei, é aquela com que fico sempre que empreendo esforço físico — um bem estar maior. Uma sensação de leveza para com a vida indescritível. Os neurotransmissores são uns malucos fixes. 

É depois de nos submetermos ao desconforto que acontece a verdadeira magia. Quando nos contrariamos, quando vamos contra a nossa primeira e inicial vontade, quando fazemos coisas que não gostamos e que não nos apetece fazer naquele momento, é quando damos um grande beijo e um grande abraço na nossa tão falada auto-estima. Porque vemos que somos capazes de fazer coisas com valor. Ir contra o fácil, preferindo o difícil, requer esforço, e é, no fundo, o estabelecimento de uma disciplina, essa disciplina que nos faz movimentar no mundo e na vida. Quanto mais nos submetemos ao desconforto, maior é a probabilidade nos sentirmos bem depois de concluídas as tarefas que julgávamos impossíveis de fazer, segundo o nosso estado espírito dormente. 

É fácil? É sempre realizável? Consigo sempre? A resposta a estas perguntas é: não. Mas isto treina-se. Leva tempo, dedicação e esforço. 


Um dia de cada vez. Às vezes, meio dia de cada vez, e as coisas vão acontecendo e vão-se fazendo. “Só” é preciso não vergar perante a tentação do familiar e da quietude. É fora disso que realmente encontramos um significado e um propósito para a nossa existência. Custa? Custa muito, mas é possível. Ah, afinal não escrevi sobre as mudanças. Fica para uma próxima


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