a sociedade fez de nós seres competitivos. aqueles que não competem com outros que os rodeiam, competem, em ultima instância, consigo próprios. a exigências dos dias, a exigência da sobrevivência, as grandes corporações, a batalha com os demónios pessoais, são alguns motivos que nos levam a querer, pelo menos, igualar o outro. neste ritmo frenético e alucinante, somos «obrigados» a estarmos sempre completamente ocupados. todos os minutos contam nesta corrida do ratos, porque a vida quase que depende do que fazemos. precisamos de ser produtivos, precisamos de ter a máquina oleada para que nada escape. se não estivermos a fazer uma merda qualquer, somos capazes de nos sentir culpados, ou ter pelo menos um sentimento estranho de que se está a omitir algo importante. manter a cabeça ocupada tornou-se uma obsessão.
eu gosto de não fazer nada. simplesmente contemplar. às vezes fico horas a ouvir música e a olhar para o tecto. não fazer nada também é fazer alguma coisa. pode-se pensar, pode-se fazer uma espécie de inventário sobre a nossa postura na vida, pode-se tentar compreender determinadas atitudes que tivemos. não fazer nada é estar atento ao pulsar da vida. é não deixar que a pressão de sermos alguma coisa neste mundo, nos atropele a essência. é não nos deixarmos levar pela ganância do espirito. estarmos constantemente ocupados também pode ser uma fuga ao que sentimos, um escape perfeito e admitido à realidade. é preciso olhar mais em volta - digo eu, que sou um admirador dos vazios e dos tédios.
Sem comentários:
Enviar um comentário