
Eu olho à minha volta, e observo a realidade em que este país se está a tornar e parece-me tudo cada vez mais decadente. Os nossos governantes são fracos, medíocres e só pensam no seu próprio enriquecimento e culto do poder. Não há pessoas carismáticas e com valores. Verdadeiros representantes do povo. Esqueceram-se que são isso mesmo. A nossa voz. Mas o povo também está cada vez mais embrutecido e revoltado. Aqui há dias li um artigo sobre a educação de crianças na Dinamarca, e acabei por ir pesquisar mais sobre o tema. Nos jardins de infância, nas chamadas creches florestais, as crianças aprendem ao ar livre. São incentivadas a subir a árvores, exploram as áreas verdes, observam insectos, cuidam de animais, constroem estruturas em madeira, cantam, escutam histórias, dormem em cabanas e cozinham sob fogueiras. No meio de tudo isto, os mais velhos, aprendem matemática, incluindo os meios de observação da natureza. As crianças vão de autocarro para as florestas onde lhes são transmitidas experiências integradas com o meio ambiente. Estas experiências despertam nas crianças um grau sério de empatia, e fá-las desenvolver capacidades motoras e sociais, com o objectivo, de quando forem adultas, saberem lidar melhor com situações de insegurança e estarem mais preparadas para os desafios. A intenção de as submeter a um certo risco, tem como finalidade torná-las capazes, confiantes e produtivas. Ora esta pedagogia, transmite valores importantes e essenciais para as crianças. Dá-lhes estrutura. Este modelo, onde a criança é ensinada a aprender mas nunca esquecendo a brincadeira, suscita surpresa em alguns, mas é por maioria bem recebido por quase todos.
Onde quero chegar, é que nos por cá começamos logo com problemas ao nível do ensino. E este começa nas creches. Não nos ensinos básicos. O nosso sistema de educação foi totalmente obliterado, por interesses, especulações e sobretudo por uma negligência enorme do mesmo. Faltam professores motivados, que são vistos como aqueles que fazem constantemente greve (e por que o fazem?!?), os malditos. Não há paixão no ensino. As coisas tornaram-se mecanizadas e entraram numa zona do deixa a andar. A nossa escola não proporciona líderes. Gajos com tomates, com qualidades irreverentes mas sobretudo humanas e empáticas. E os alarves deste mundo já começam a dizer que a empatia não serve para nada. Cada vez há mais divisão e menos solidariedade. É o salve-se quem puder, pois claro, nestas condições um gajo tem de olhar para si. Mas esse é o mal enraizado. A visão de que isto se tornou uma batalha campal com contornos quase bíblicos. Olha-se para os “nossos líderes” e vê-se pessoas medíocres, incapazes e indecisas, sem noção do que é estar na posição que ocupam. O país anda à deriva, aprova-se mais um lei inócua aqui ou ali, para justificar os milhares de euros em vencimentos, e no meio de tanta incoerência, vai o sistema de ensino e de saúde ao ar, pilares fundamentais para uma sociedade equilibrada e sã. As nossas bases estão fodidas. Não há compromisso, dedicação e preocupação genuína pelos interesses das pessoas. E enquanto não se tomarem medidas acérrimas e drásticas, andaremos todos aqui na luta, a fazer o melhor que sabemos, sem no entanto pensar o no bem geral das comunidades. Depois, é ver o fascismo a ganhar cada vez mais voz, déspotas no poder, e as democracias ameaçadas porque só sabemos formar grunhos que pensam pouco e que fazem ainda menos.
Faltam gajos e gajas com tomates. Em todo o lado. Pessoas que tomem decisões revolucionárias e inovadoras. Mas a imaginação começa a ser penhorada logo no início. E os aprendizes de hoje serão aquilo que se vê à nossa volta no amanhã. A História não se escreve com luvas, escreve-se com mãos calejadas. Mas isso dói e dá trabalho.